domingo, 12 de fevereiro de 2012

Inclusão digital e modo offline: novas tendências para o uso de celulares e tablets na educação

Caros,

Debatendo com educadores de todo o Brasil no excelente encontro "EducaParty", evento incluído na programação da Campus Party Brasil 2012, notei a necessidade de destacar um pouco mais duas tendências no modo como uso os celulares com meus alunos: a inclusão digital dos celulares que eles já trazem para sala de aula, e a constatação que a grande maioria desses alunos não possui um plano de dados com operadoras de telefonia, e quando o possuem, são planos limitados e de qualidade muito ruim na prestação dos serviços.

Photo by Ricardo Lisboa (Instituto Educadigital)
Nos diversos painéis e debates que lá ocorreram, pude perceber que tanto as instituições que pretendem explorar o uso de dispositivos móveis na educação, quanto os educadores e pesquisadores que buscam novas formas de explorarem as possibilidades da "Educação além dos muros da escola" estão buscando utilizar dispositivos cada vez mais modernos, com recursos e velocidades cada vez maiores. Também buscam explorar todas as possibilidades de interação e pesquisa que a Internet e o Cloud Computing tem a proporcionar. E existem ótimas iniciativas que seguem esses princípios!

Nada contra se buscar atividades cada vez mais ricas e dispositivos cada vez mais potentes... o problema é a operacionalização, o custo (financeiro, social e ambiental) disso e as barreiras econômicas e de qualidade que o meio (internet) ainda apresentam nas diversas regiões do nosso país.

Em um país com aproximadamente 193 milhões de pessoas, e mais de 200 milhões de linhas telefônicas ativas (dados do censo IBGE de 2010), distribuir mais celulares e tables para essa população parece até um contra-senso. Existe muito mais celulares que pessoas, no nosso país! Inevitável não surgir a pergunta: Será que não poderíamos aproveitar essa massa de aparelhos nos nossos projetos para a educação? Se eu fosse agente responsável por decisões políticas na educação, eu começaria a levar essa inclusão digital muito a sério. Utilizar essa massa de aparelhos que já existem implicaria em uma enorme economia de recursos... vejamos:
1. Não gastariamos com a compra de aparelhos, uma vez que nossos alunos já o possuem;
2. Não gastariamos com treinamento dos usuários, uma vez que nossos alunos dominam o uso deles muito mais que nós, professores. O treinamento seria mais necessário aos professores e demais gestores.

Mas a maior vantagem seria mesmo para o nosso meio ambiente. Em uma época que se discute até a sobrevivência da espécie humana, as consequencias das mudanças climáticas e do esgotamento dos recursos do nosso planeta, economizar matéria-prima e evitar a exploração desumana de mão-de-obra em países pobres, evitando a produção de novos e dispendiosos equipamentos, não seria uma boa idéia e uma ótima política?

E porque produzir atividades offline para os celulares? Será que postando atividades em rede ou pela internet não seria muito mais rico e produtivo? Sim, seria... e essa seria uma meta a ser atingida por todos nós. Ocorre que esse ainda é um sonho bastante distante no nosso Brasil. Quem usa celulares e tables conectados fora do eixo Rio-São Paulo sabe o quanto é duro permanecer on-line. São quedas intermitentes e velocidades ridiculas nos planos oferecidos pelas operadoras. E é uma realidade que afeta tanto planos baratos quanto planos empresariais... ou seja, ainda temos muito a evoluir em se tratando de internet móvel. Paga-se o que não se leva, e se pensarmos na realidade socio-econômica da esmagadora maioria dos nossos alunos, especialmente os das escolas públicas, ter um plano de dados em um celular é um sonho bastante distante para eles.

Minha experiência tem mostrado que não existe necessidade de conexão para se utilizar celulares na educação. Dá para fazer um ótimo trabalho com aplicações e arquivos acessados de modo offline, e quem quizer saber mais como isso funciona, sugiro buscar na aba "Reportagens", aqui mesmo no meu Blog. Enquanto uma internet decente não chega aos nossos celulares, em todos os lugares do Brasil, essa parece ser a alternativa mais acertada para o uso dos celulares em sala de aula.

Assim, se me permitem, darei essa dica aos nossos colegas programadores, que criam meios de utilizar os celulares e tablets como ferramenta na educação... considerem pautarem suas atividades nesses dois princípios: inclusão digital e modo offline!

Aguardo os comentários de vocês, para enrriquecermos mais esse assunto!

P.S.: Ao governo federal, gostaria de dizer que NÃO quero ganhar tablets ou smartphones oriundos dos programas de inclusão digital. Também NÃO quero ganhar um plano de internet subsidiado pelos mesmos programas... EU QUERO GANHAR UM SALÁRIO BEM MELHOR, para eu mesmo poder escolher e adquirir o equipamento e o plano que melhor se adeque às minhas necessidades!